11/12/2025
Mercado americano é o principal destino dos móveis brasileiros no exterior, tendo representado cerca de 30% da pauta em 2024
A direção da ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), acompanhada por representantes de exportadores de móveis do país, esteve em Brasília (DF), nesta quarta-feira (10), cumprindo agenda de articulação na defesa comercial e alinhamento de estratégias para a reversão das tarifas de 40% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A medida, que elevou a taxação para até 50% sobre grande parte do mobiliário nacional, coloca em risco a produção, o emprego e os investimentos no setor, com sérios impactos sociais e econômicos.
A comitiva participou de audiências com o Vice-Presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin; com a Secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres; e com o embaixador Philip Gough, Secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Os encontros contaram também com a presença de Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e fundador da BMJ Consultores Associados, e Josemar Franco Pessoa, consultor da BMJ, que atuam na defesa do setor junto ao governo federal e americano. A presença da direção da entidade junto a empresários e a assessoria jurídica reflete a preocupação com a competitividade do mobiliário brasileiro em seu principal mercado importador, buscando assegurar a preservação da capacidade produtiva instalada no Brasil, a competitividade da indústria e os empregos. Durante as audiências, os presentes apresentaram dados que dimensionam os efeitos da barreira tarifária na cadeia de valor.
“O setor moveleiro integra uma das cadeias produtivas mais capilarizadas do Brasil, distribuída entre milhares de empresas, com forte impacto socioeconômico em diferentes regiões de Norte a Sul. Emprega 1,1 milhão de trabalhadores de forma direta e indireta, movimentando fornecedores de base florestal, química, ferragens, têxteis, máquinas e logística, além de impulsionar segmentos correlatos como arquitetura, design e construção civil”, destacou o presidente da ABIMÓVEL, Irineu Munhoz, durante as reuniões, ressaltando a importância da previsibilidade e estabilidade nas condições de exportação para a manutenção da atividade e promoção da inovação no país.
Os empresários manifestaram-se expondo de forma detalhada os impactos decorrentes do atual cenário sobre suas indústrias, tanto no âmbito produtivo quanto na manutenção de empregos. Ressaltaram, ainda, os reflexos já observados em suas cidades, regiões e outras empresas do ramo, com risco crescente de retração econômica e potencial aumento do desemprego, que já chegou ao patamar de 9 mil desligamentos.
Foram apresentados também seus modelos de negócios e parcerias estabelecidas no mercado norte-americano, incluindo informações sobre contratos vigentes, processos de negociação com parceiros nos EUA e as dificuldades enfrentadas no contexto atual. Os participantes também relataram as estratégias adotadas para mitigar os efeitos negativos, preservar operações, garantir competitividade e manter compromissos comerciais.
Durante as audiências, Welber Barral também apresentou uma avaliação do setor, destacando:
As contribuições registradas reforçaram a relevância e a urgência do tema, subsidiando o trabalho institucional em curso e orientando os próximos encaminhamentos junto às autoridades competentes.
A diretora-executiva da entidade, Cândida Cervieri, destacou que a articulação entre o setor privado e o poder público é determinante neste momento. Segundo ela, o diálogo estabelecido com o Vice-Presidente da República, que também ocupa o cargo de Ministro do MDIC, e com o Itamaraty evidencia que a defesa do móvel brasileiro constitui uma pauta de relevância econômica e social. “Apresentamos às autoridades a realidade das nossas indústrias, que operam com rigorosos padrões de qualidade, com design, normalização técnica e gestão sustentável. Esses elementos são fundamentais para que o governo brasileiro conduza as negociações bilaterais com as autoridades americanas amparado por subsídios sólidos e representativos do setor”, afirmou.
Dessa forma, a agenda em Brasília procurou reforçar o posicionamento da entidade em atuar de forma técnica e fundamentada diante de desafios do setor, das indústrias e do mercado. O foco reside na intensificação do trabalho diplomático para demonstrar que as tarifas aplicadas não condizem com as práticas de mercado do Brasil, cuja competitividade é pautada na eficiência industrial, no design de valor agregado e na utilização de matéria-prima legal e sustentável, buscando o reequilíbrio das relações comerciais para a continuidade de uma parceria justa e importante para ambos os mercados.
Por fim, as reuniões também contemplaram a discussão de outras demandas prioritárias do setor, além da exclusão das tarifas da Seção 232. Entre os temas tratados estiveram:
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ABIMÓVEL – Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário
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