08/01/2026
O ano de 2026 começou e algo está claro: o Brasil está, definitivamente, na moda!
Para além das belezas naturais, do carnaval e do futebol, o país tem passado a se afirmar cada vez mais como epicentro de criatividade, linguagem estética e identidade cultural contemporânea. Das passarelas, do mundo das criações às ruas, passando pelas redes sociais; da música ao cinema; dos memes ao cenário político; da arquitetura e decoração até o mobiliário, bem como a forma de receber e interagir: o mundo olha para cá em busca de narrativas visuais, materiais, afetivas e culturais que combinam diversidade, ritmo, hospitalidade, potência produtiva e capacidade de inovar.
Nos últimos anos, a tendência batizada de Brasilcore ou Brazilcore levou as cores verde, amarelo, azul e branco, assim como técnicas tais como crochê, tramas, rendas e bordados, além de símbolos ligados aos esportes, à praia, às florestas e aos centros urbanos brasileiros para todos os continentes e já é apontada como uma das maiores trends para 2026.
A ascensão de figuras locais como Anitta, Fernanda Torres, Bruna Marquezine e Wagner Moura, bem como a adesão de grandes celebridades internacionais como Rosalía, Hailey Bieber, Bruno Mars, Shawn Mendes e Tina Kunakey, ajudaram a projetar essa estética, agora vista em coleções de grifes globais e analisada pela imprensa de moda e comportamento como um novo “hype” em torno da identidade brasileira: aqui tão afetuosamente chamada de “brasilidade”.
Mais do que um estilo passageiro, esse movimento sinaliza um interesse renovado pela cultura nacional como plataforma de expressão atual. Interesse que hoje se prolonga no campo da arquitetura, do design de interiores e do paisagismo. Um exemplo vem da aguardada lista anual da Architectural Digest México e América Latina, que chegou com 21 brasileiros entre os 100 nomes que, segundo eles, estão redefinindo esses setores na região. É o maior número de brasileiros já indicados — confira a AD100 2026 aqui.
É nesse contexto também que o design e a indústria brasileira do mobiliário encontram um terreno fértil para posicionarem-se com autoridade criativa, consistência produtiva e capacidade de dialogar com as grandes pautas internacionais.
COP30, turismo e economia criativa: Brasil no centro do mapa
A realização da COP30 em Belém do Pará em 2025, aliás, consolidou de vez o Brasil como referência quando o assunto é meio ambiente e soluções sustentáveis. Pela primeira vez, a conferência do clima foi organizada em plena floresta, transformando a região Norte em palco de debates, negociações e anúncios que reforçaram o papel do país na agenda ambiental e na transição para uma economia de baixo carbono.
Mas o impacto foi além da diplomacia. Ao mesmo tempo em que apresentava compromissos de redução de emissões e proteção dos biomas, o Brasil convidava o mundo a enxergar suas múltiplas formas de viver:
Estilos de vida, de morar, de comer e de falar que se manifestam de formas tão distintas e ao mesmo tempo complementares do Norte ao Sul, assim como nossa geografia;
Formas de vestir que misturam cores, estampas, técnicas, tecidos e outros materiais, inspirando também a arquitetura, a indústria e o design;
Maneiras de pensar cidades que buscam conectar o urbano à natureza e o interior das casas às áreas externas.
Expressões culturais que vão do funk ao samba; do sertanejo ao rap; dos grandes centros comerciais às feiras locais; das cenas independentes nas periferias às tribos originárias;
Entre tantas outras características de um país de extensão continental, que abriga tantos biomas e tantos povos.
Esse reposicionamento coincide com um salto histórico no turismo internacional. Segundo o Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo), o país nunca recebeu tantos turistas como no ano passado, inclusive para além do eixo Rio-São Paulo, com cada vez mais estrangeiros desbravando novas regiões. Muitos deles nômades digitais e profissionais da economia criativa em busca de um lugar que combine natureza, infraestrutura, diversidade cultural e custo de vida competitivo.
O país também entrou de vez no radar da indústria do entretenimento. Grandes turnês, festivais e lançamentos audiovisuais passaram a incluir o Brasil em suas rotas estratégicas. Esse fluxo de turistas, artistas e criadores retroalimenta o interesse mundial por nossa estética, nossas histórias e nossos produtos, incluindo o mobiliário, que faz parte desse mesmo ecossistema criativo.
E o que o mobiliário brasileiro tem?
Quando se fala em brasilidade no mobiliário, não se trata apenas de aplicar uma paleta em verde-amarelo ou de estampar paisagens tropicais nas superfícies. O que distingue o móvel brasileiro é a forma como ele traduz, em desenho e materialidade, valores como convivência, acolhimento, história, mistura de referências, uso inteligente das matérias-primas nativas e a integração entre espaços.
É um design que nasce dos movimentos artísticos e urbanos, como o Modernismo Brasileiro — uma das mais reconhecidas tendências estéticas nacionais —, mas também da casa dos avós, do quintal, da praia, do campo, da nossa ancestralidade, assim como de grandes arranha-céus com apartamentos compactos e novos modos de morar.
Essa identidade se expressa:
Em linhas que equilibram conforto e leveza;
Soluções que otimizam espaço sem abrir mão do afeto;
Peças que misturam madeira, fibras, metais, couros e tecidos de maneira orgânica;
Curvas sinuosas e cores quentes;
Soluções inovadoras, gestão sustentável e materiais de baixo impacto ambiental;
Obras que aceitam o improviso e conversam com objetos de diferentes épocas e estilos.
O móvel brasileiro é, em essência, o resultado da conversão entre indústria, artesanato, design autoral e um modo muito particular de habitar o mundo que hoje interessa a compradores, curadores, arquitetos e consumidores de diferentes lugares.
Design + Indústria: conexões que materializam o que é brasilidade
Nesse contexto, o programa Design + Indústria, desenvolvido pela ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), por meio do Projeto Setorial Brazilian Furniture, é um dos vetores na consolidação do país como referência em design e mobiliário.
Ao conectar indústrias e designers de diferentes regiões, o programa integra às diversas realidades produtivas e criativas do Brasil, consolidando sua missão de reforçar o design como instrumento de competitividade, valor agregado e identidade nacional para a indústria brasileira de móveis.
No ciclo atual, o que se vê nas fábricas e nos estúdios é uma pauta alinhada ao cenário internacional:
Materiais: uso ampliado de madeiras de reflorestamento, metais, fibras naturais (como sisal, junco, bananeira), tecidos ecológicos, couros de origem responsável, vidros, cerâmicas com menor pegada de carbono e compósitos que reaproveitam resíduos industriais.
Tecnologias e processos: impressão 3D aplicada à prototipagem, usinagem CNC, corte a laser, desenvolvimento de sistemas modulares, estudo de encaixes que reduzam ferragens e insumos químicos, além da combinação entre técnicas industriais e saberes artesanais.
Conceitos: foco em longevidade do produto, modularidade, conforto sensorial, redução de resíduos, circularidade de materiais e uma abordagem de brasilidade que não se limita a símbolos óbvios, mas integra biomas, memórias, história, sotaques e modos de morar.
Sem revelar o conteúdo das peças e coleções em desenvolvimento, os depoimentos de empresas e designers convergem ao destacarem que o programa não é só uma ocasião pontual, mas um espaço de encontro, aprendizado e construção de parcerias duradouras, com impacto direto sobre a cultura de produto e o posicionamento das marcas nos mercados interno e externo.
“O Design + Indústria mostra que o Brasil não é apenas um fornecedor de matéria-prima ou de mão de obra. Somos um país da indústria, de projetos e de criatividade. Quando conectamos a capacidade fabril da indústria com a pesquisa de materiais, o pensamento crítico dos designers e a diversidade cultural do país, criamos produtos que falam a língua do mundo sem perder o sotaque brasileiro”, reforça o presidente da ABIMÓVEL, Irineu Munhoz.
Os resultados dessas conexões poderão ser conferidos em alguns dos principais eventos do setor neste ano, incluindo o Salão do Móvel de Milão, na Itália.
Prêmio Design da Movelaria Nacional: uma vitrine do Brasil para o mundo
Se o Design + Indústria articula o processo, o Prêmio Design da Movelaria Nacional funciona como uma vitrine do momento que o setor vive. Com os vencedores tendo sido revelados em outubro de 2025, durante o 12º Congresso Nacional Moveleiro, em Curitiba (PR), a primeira edição reuniu cerca de 500 projetos inscritos, envolvendo empresas, profissionais e jovens talentos de todas as regiões do país.
A ocasião premiou sete categorias oficiais — Mobiliário de Fabricação Seriada, Mobiliário de Fabricação Artesanal, Inovação em Design de Mobiliário, Mobiliário Planejado e Potencial Criativo em Design de Móveis —, além de três reconhecimentos especiais: Identidade Brasileira, Excelência Fabril e Prêmio Revelação. As peças e linhas vencedoras evidenciam caminhos diversos, mas interligados:
Soluções seriais que dialogam com a indústria sem abrir mão de linguagem própria;
Mobiliário artesanal que articula técnicas tradicionais e novos usos;
Propostas emergenciais e experimentais que respondem a demandas sociais e ambientais em ascensão;
Produtos planejados e sistemas adaptáveis ao modo de morar contemporâneo;
Projetos de estudantes e jovens profissionais que sinalizam a próxima geração do design de mobiliário.
Todas essas frentes compartilham um eixo comum, que envolve originalidade, viabilidade produtiva, responsabilidade socioambiental e aderência às demandas reais do mercado tanto nacional quanto internacional.
Os vencedores também terão suas peças expostas no iSaloni 2026, um dos principais pontos de encontro do setor. A presença na Semana de Design de Milão, articulada pelo Projeto Brazilian Furniture, insere o prêmio na estratégia de internacionalização da indústria moveleira brasileira, que também inclui ações em feiras como ICFF (Nova York), IMM Cologne (Alemanha) e outras plataformas internacionais previstas no calendário deste ano.
Para Cândida Cervieri, diretora-executiva da ABIMÓVEL, o Prêmio Design da Movelaria Nacional é um desdobramento natural da agenda que vem sendo construída pelo setor com apoio da entidade: “Ao levar as peças vencedoras para Milão, não estamos apenas expondo produtos, mas também apresentando história, cultura e novos caminhos. Cada assento, armário, mesa, cada sistema de mobiliário traz consigo empregos, conhecimento técnico, redes regionais, cadeias de suprimento e um modo de pensar o Brasil como um dos protagonistas no design global”.
E já vem mais novidade: as inscrições para a segunda edição do Prêmio — organizado pela ABIMÓVEL, com apoio da ApexBrasil e do Sebrae Nacional — serão abertas em breve. Vale acompanhar de perto os canais oficiais da entidade para não perder prazos, regulamento e oportunidades de participação.
Brasilidade, linguagem singular e capacidade produtiva
Os movimentos descritos — da tendência Brazilcore nas ruas, nas passarelas e nas redes à presença ampliada de marcas e profissionais brasileiros em rankings e feiras internacionais — compõem um mesmo quadro:
Um país com repertório estético singular, ancorado na abundância de paisagens, matérias-primas, influências culturais, saberes tradicionais e presença digital.
Uma indústria moveleira com capacidade produtiva consolidada, que investe em tecnologia, qualificação e modernização, sem se esquecer do feito a mão;
Um ecossistema de design que entende inovação como processo contínuo, não apenas como adorno ou slogan.
“O que se vê hoje é o resultado de uma construção de longo prazo, que passa por um plano consistente de fortalecimento da imagem do mobiliário brasileiro no exterior, com inteligência e presença de mercado. E é nisso que continuaremos investindo e trabalhando em 2026. O Brasil não só está na moda, ele também a dita!”, finaliza a diretora-executiva da ABIMÓVEL.
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