13/03/2026
Atualizações do Tarifaço americano, ratificação e entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia, conflitos no Oriente Médio e outros assuntos movimentam o comércio exterior no 1º trimestre
As exportações brasileiras de móveis e colchões entraram em 2026 no vermelho. Em janeiro, os embarques somaram US$ 39,0 milhões, queda de 41,8% em relação a dezembro (US$ 66,9 milhões) e recuo de 13,7% na comparação com janeiro de 2025 (US$ 45,1 milhões).
O primeiro mês do ano costuma, de fato, ser um período de menor ritmo de embarques; ainda assim, a intensidade do recuo e, sobretudo, o contexto em que ele ocorre, sugere que o dado não é apenas sazonal. Ele funciona como termômetro de um ambiente em que a previsibilidade virou ativo raro para exportadores, especialmente após o choque tarifário imposto pelos Estados Unidos no início do segundo semestre de 2025.
O pano de fundo é, portanto, mais amplo do que contêineres a menos no porto. A indústria brasileira de móveis encerrou 2025 com queda de 1,2% no volume produzido, um sinal de que o setor já vinha ajustando processos diante de um ambiente externo mais hostil e de um mercado doméstico pressionado por juros altos e crédito restrito. As informações são da “Conjuntura de Móveis – Edição Fevereiro/2026”, estudo publicado pela ABIMÓVEL(Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) a partir de levantamento do IEMI junto a fontes oficiais.
Desde o anúncio do tarifaço, que entrou em vigor em agosto do ano passado, empresas relataram um roteiro repetido: cancelamentos, renegociações, contratos encurtados e pedidos “em espera”. A virada para 2026 testaria se o mercado voltaria a respirar com ajustes jurídicos e rearranjos institucionais em Washington. Não voltou. Janeiro chega como prova estatística de que o problema não foi pontual: o importador compra quando consegue fechar custo total e risco; sem clareza, posterga ou muda de fornecedor.
A reconfiguração aparece no mapa de destinos. Em janeiro, os EUA responderam por “apenas” 19,3% do total de móveis e colchões prontos exportados pelo Brasil, bem abaixo de 28,3% em janeiro de 2025 e de 34,7% em janeiro de 2024.
Na sequência, ganharam peso relativo parceiros recorrentes como Uruguai (12,2%), Chile (8,0%), Peru (7,7%) e Reino Unido (6,0%). A Argentina, que vinha crescendo em participação, cedeu no início do ano, ainda que mantenha um patamar de compra superior ao observado em anos anteriores.
(acumulado do ano)
| Países | Jan/2024 | Jan/2025 | Jan/2026 | |||
|---|---|---|---|---|---|---|
| US$ mil | Part. (%) | US$ mil | Part. (%) | US$ mil | Part. (%) | |
| 1. Estados Unidos | 16.994 | 34,7% | 12.807 | 28,3% | 7.521 | 19,3% |
| 2. Uruguai | 4.408 | 9,0% | 4.422 | 9,8% | 4.739 | 12,2% |
| 3. Chile | 3.206 | 6,6% | 3.155 | 7,0% | 3.101 | 8,0% |
| 4. Peru | 1.667 | 3,4% | 1.859 | 4,1% | 3.000 | 7,7% |
| 5. Reino Unido | 3.196 | 6,5% | 2.530 | 5,6% | 2.357 | 6,0% |
| 6. México | 930 | 1,9% | 1.149 | 2,5% | 2.230 | 5,7% |
| 7. Paraguai | 1.404 | 2,9% | 1.438 | 3,2% | 1.939 | 5,0% |
| 8. Argentina | 176 | 0,4% | 1.414 | 3,1% | 1.607 | 4,1% |
| 9. Equador | 880 | 1,8% | 284 | 0,6% | 1.199 | 3,1% |
| 10. Bolívia | 1.172 | 2,4% | 1.477 | 3,3% | 945 | 2,4% |
| Subtotal | 34.034 | 69,6% | 30.535 | 67,6% | 28.638 | 73,5% |
| Outros | 14.873 | 30,4% | 14.643 | 32,4% | 10.336 | 26,5% |
| Total | 48.907 | 100,0% | 45.177 | 100,0% | 38.975 | 100,0% |
Dessa forma, o “Top 10” concentrou 73,5% das exportações do mês: sinal de uma pauta mais defensiva, ancorada em mercados conhecidos quando o destino central entra em modo de cautela.
Entre as principais novidades relativas às tarifas americanas, a Suprema Corte dos EUA afirmou que a IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional) não autoriza o presidente a impor tarifas amplas, derrubando, por 6 votos a 3, as tarifas globais ancoradas nessa lei. O mercado, porém, olhou menos para a sentença e mais para a resposta: o governo Trump agiu rápido, utilizando-se de novas ferramentas para sobretaxação. A principal delas foi a Seção 122, apresentada como sobretaxa temporária, com tarifa anunciada em 10% e sinalização de elevação para 15%, em geral com duração de até 150 dias, salvo extensão legislativa.
Para o setor de móveis, contudo, a 122 tende a ter efeito limitado quando comparada à Proclamação de 29 de setembro de 2025, que ampliou o escopo da Seção 232 para abranger madeira, derivados e itens transformados que utilizam mad