Mais de 60% dos móveis vendidos no Chile são importados: Brasil é o 2º principal fornecedor
Um mercado próximo, aberto e em expansão para o mobiliário brasileiro
O Chile foi o terceiro maior destino do mobiliário brasileiro em 2025, com crescimento de mais de 8,2% sobre o ano anterior. Para além da proximidade regional, outros fatores colaboram para esse avanço, como acessibilidade, previsibilidade comercial, demanda estrutural por importações e um perfil de consumo em ascensão.
É o que mostra o “Estudo de Oportunidades para o Exportador Brasileiro de Móveis e Colchões — País-alvo: Chile | Edição 2025”, desenvolvido pelo IEMI - Inteligência de Mercado com exclusividade para o Projeto Setorial Brazilian Furniture, iniciativa da ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).
Dependência estrutural de importações sustenta a oportunidade
Com crescimento relevante na América Latina, o Chile apresenta características institucionais e comerciais que ampliam seu poder de atração. Trata-se de uma economia aberta, com política de integração internacional contínua ao longo das últimas décadas e ampla rede de acordos comerciais. Formando, assim, um ambiente particularmente favorável para fornecedores externos que atendam às demandas locais.
Apesar de contar com base florestal relevante, a indústria moveleira chilena é limitada em escala. Em 2024, o faturamento da produção nacional foi de apenas US$ 267 milhões, queda de 7,1% frente a 2023 e 42,7% inferior ao observado no início da série analisada. Em contraste, o consumo doméstico alcançou cerca de US$ 700 milhões no mesmo ano, avanço de 11,6% na comparação anual.
Esse descompasso evidencia um dado central para o exportador brasileiro: 63,8% do consumo de móveis no Chile foi suprido por importações.
As compras externas de móveis e colchões totalizaram US$446,8 milhões em 2024, crescimento de 26,9% frente a 2023 e de 39% em relação a 2020. Entre os segmentos, destacam-se móveis propriamente ditos (54,2% das importações) e assentos (42,7%), enquanto colchões e suportes responderam por 3,1%.
Além do volume, chama atenção o déficit estrutural da balança setorial chilena: exportações de apenas US$13,6 milhões no mesmo período, contra importações superiores a US$440 milhões.
Um consumidor sofisticado e digitalizado
O padrão de consumo chileno apresenta características particularmente favoráveis a produtos de maior valor agregado. As famílias destinam, em média, 6,1% de sua renda a móveis, artigos para o lar e manutenção residencial. Patamar, este, consistente com economias urbanizadas de renda média-alta.
A decisão de compra, embora ainda sensível ao preço, incorpora fatores como qualidade, durabilidade, tecnologia, assistência pós-venda e experiência de consumo. Pesquisas indicam também crescente valorização de atributos ambientais, tornando o Chile uma das sociedades mais conscientes em sustentabilidade na América Latina.
Outro vetor decisivo é o comércio eletrônico. O país concentra cerca de 6% de todo o e-commerce latino-americano e apresenta o maior gasto on-line per capita da região; aproximadamente US$812 anuais por consumidor, acima inclusive de Brasil e México. Com cerca de 65% de penetração digital, o canal on-line amplia o alcance geográfico das marcas estrangeiras e reduz barreiras tradicionais de entrada.
Chile consolida-se como destino relevante das exportações brasileiras
O país foi o 3º principal destino das exportações brasileiras de móveis e colchões em 2025, atrás apenas dos Estados Unidos e do Uruguai. O desempenho recente confirma uma trajetória de médio prazo relativamente sólida, ainda que marcada por oscilações conjunturais.
Entre 2008 e 2024 – ano-base do estudo –, o Brasil exportou cerca de US$671 milhões para o mercado chileno, crescimento acumulado de 40,8%. O pico ocorreu em 2021, impulsionado pelo consumo pós-pandemia.
Em 2024, as vendas totalizaram US$ 52,5 milhões, alta de 8,2% sobre 2023 e 26,1% acima de 2020. O mix exportado é fortemente concentrado em móveis (88,7%), seguidos por assentos (9,5%) e colchões (1,8%).
Do ponto de vista físico, foram embarcadas 36,5 mil toneladas, crescimento de 6,2% frente ao ano anterior.
Nesse panorama, o Brasil se consolida como o segundo principal fornecedor de móveis no mercado chileno, tanto em valores quanto em volume, atrás apenas da China.
Potencial de crescimento significativo no médio prazo
O “Estudo de Oportunidades para o Exportador Brasileiro de Móveis e Colchões — País-alvo: Chile | Edição 2025” aponta que o Brasil detém participação relevante em categorias estratégicas, especialmente móveis de madeira para cozinha e dormitórios, segmentos com forte demanda no mercado chileno.
A projeção indica potencial adicional de US$ 64,2 milhões em exportações nos próximos três a cinco anos, podendo elevar o total para cerca de US$ 116,7 milhões, desde que haja continuidade das ações de promoção comercial e diversificação da oferta.
Entre os fatores que sustentam essa estimativa destacam-se:
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proximidade geográfica e logística favorável
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ambiente institucional previsível
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abertura comercial consolidada
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demanda crescente por produtos importados
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escala adequada para pequenas e médias empresas
Competitividade de preços revela espaço para maior valor agregado
O preço médio das exportações brasileiras para o Chile foi de US$ 1,44/kg em 2024 — 51,9% acima do registrado em 2020. Ainda assim, permanece significativamente inferior ao preço médio das importações totais do país, estimado em US$ 2,25/kg.
Essa diferença sugere dois caminhos estratégicos: ampliar participação em segmentos premium ou consolidar presença em faixas intermediárias com maior diferenciação de design e qualidade.
Livre comércio e ambiente regulatório favorável
O comércio bilateral opera sob o Acordo de Complementação Econômica nº 35 (Mercosul-Chile), que estabelece área de livre comércio para bens, incluindo móveis. A atualização dos acordos bilaterais em 2018 ampliou ainda mais a previsibilidade regulatória ao tratar de temas como barreiras não tarifárias, facilitação de comércio, concorrência e sustentabilidade.
Hoje, o Chile responde por cerca de 6,9% das exportações brasileiras de móveis. O que corresponde a cerca de 11,7% das importações chilenas no setor.
Um mercado estratégico para a internacionalização gradual
A principal conclusão do estudo é clara: o Chile oferece uma combinação rara de acesso, estabilidade e potencial de crescimento. Trata-se de um mercado particularmente adequado para empresas brasileiras que iniciam ou ampliam sua atuação internacional, sobretudo de médio e pequeno porte.
Ou seja, em um cenário internacional marcado por volatilidade comercial e crescente competição global, consolidar presença em mercados próximos, previsíveis e demandantes torna-se uma estratégia não apenas oportuna, mas estrutural para a indústria moveleira brasileira.
Exclusividade Brazilian Furniture
Associado ao Projeto Setorial Brazilian Furniture, acesse o “Estudo de Oportunidade para o Exportador Brasileiro de Móveis e Colchões – País-Alvo: Chile | Edição 2025”: brazilianfurniture.org.br/intranet.
Projeto Brazilian Furniture
O Projeto Setorial Brazilian Furniture é uma iniciativa da ABIMÓVEL em parceria com a ApexBrasil, que tem por objetivo incrementar a participação da indústria e da cadeia de móveis brasileira no mercado internacional por meio de um conjunto de ações estratégicas, tendo como base os pilares da sustentabilidade, da competitividade e do design integrado à indústria. Centenas de empresas fazem parte do projeto.
No ciclo atual, as entidades realizadoras convidam além de fabricantes e designers de móveis, empresas do ramo de componentes e fornecedores da indústria a se unirem ao Brazilian Furniture, ampliando ainda mais o alcance do mobiliário brasileiro e reforçando a competitividade da marca “Brasil” no mundo.
Em 2025, a indústria brasileira foi a sétima maior produtora de móveis e colchões do mundo, exportando mais de US$ 769,03 milhões em produtos prontos (excluindo-se partes e componentes), o que representou um crescimento de 0,8% na atividade frente a 2024.
Para fazer parte do projeto e colocar sua marca nos maiores eventos do setor moveleiro ao redor do mundo, acesse: brazilianfurniture.org.br.
Sobre a ABIMÓVEL
A Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (ABIMÓVEL) atua há quase cinco décadas na defesa, desenvolvimento e fortalecimento da cadeia moveleira nacional. A instituição promove e conduz uma agenda positiva para o setor, beneficiando mais de 22,8 mil empresas, que em 2025 geraram mais de R$ 92,1 bilhões em negócios e 287,2 mil empregos diretos, numa cadeia produtiva que emprega cerca de 1,1 milhão de trabalhadores indiretamente.
Ao longo de sua trajetória, a ABIMÓVEL tem liderado uma série de programas e ações voltados aos negócios, à competitividade, ao design, à sustentabilidade, à normalização técnica, à inovação e à internacionalização da indústria, promovendo iniciativas que ampliam o posicionamento do mobiliário brasileiro no cenário interno e global.
O país é hoje o maior produtor de móveis da América Latina e o sétimo maior do mundo, posição que reflete a relevância estratégica de uma cadeia produtiva diversa, capilarizada e conectada às transformações do mercado.
Sobre a ApexBrasil
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atua para promover produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira. Para alcançar os objetivos, a ApexBrasil realiza ações diversificadas de promoção comercial que visam promover as exportações e valorizar os produtos e serviços brasileiros no exterior, como missões prospectivas e comerciais, rodadas de negócios, apoio à participação de empresas brasileiras em grandes feiras internacionais, visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva brasileira, entre outras plataformas de negócios que também têm por objetivo fortalecer a marca Brasil.
A Agência também atua de forma coordenada com atores públicos e privados para atração de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o Brasil com foco em setores estratégicos para o desenvolvimento da competitividade das empresas brasileiras e do país.
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Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário – ABIMÓVEL
Assessoria de Imprensa: press@abimovel.com

